sábado, 6 de dezembro de 2014

(...) Mas ele era tão jovem.

                          
Com a janela do quarto fechada, fazia daquele espaço o reflexo do seu “eu”; na parede duas prateleira, uma em cima da outra, com todos os livros que ele amava, decorava com vidas encapadas de uma extremidade a outra o quarto; no chão se via folhas amassadas, rascunhos de vida perto da escrivaninha onde ele estava sentado escrevendo-se.

       -Antes de tudo queria me desculpar por quebrar a ilusão dos seus olhos com tal cena. Não se perguntem O porquê, já não vale mais apena, tampouco sejam egoístas ao condenarem meu ato, digo-lhes que não o fiz por vocês, embora foram todos vocês que me mataram antes aos poucos, agora isso já não é morte, mas a consumação do que vinha acontecendo e a libertação de uma alma que penava de dor, sendo assim, fiz por mim, percebi, tarde demais, que eu também deveria ser um pouco egoísta às vezes, a final as coisas sempre foram assim, vocês só erraram na dose de si próprio.
   Saibam que não levo raiva de nenhum de vocês, amei a todos, ofereci tudo que podia, e talvez aqui tenha sido meu erro, pois ofereci até o que era meu, só meu; achei que oferecendo tudo que tinha iriam me retribuir talvez não a altura, mas só um pouco do que vocês possuíam, mas quase não me deram nada, fui dando tudo que eu podia e o que não podia também, e acebei vazio.
  Quero que sigam suas vidas como se eu não tivesse existido, acredito que não vai ser tão difícil; tentem não levar mais alguém a ter que tomar essa decisão que estou tomando.
   Adeus, sentirei saudades, apesar de tudo, de vocês.


  Fez duas pilhas, com quase um metro de altura, no chão com os livros que mais gostava, antes de subir em cima delas deixou a carta dentro do seu melhor livro em cima da escrivaninha para que fosse a segunda coisa que pudessem ver ao entrar no quarto, subiu em cima das pilhas e à medida que pegou a corda amarrada no teto falou colocando-a em seu pescoço:

-Tu que és agora inimiga da minha vida, serás, no entanto, quem irá salvá-la dando-me o abraço que nunca me deram.


  Quando abriram a porta do quarto gritos de desespero podiam ser escutados.

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